05 agosto 2011

Sua face no book

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Lembro-me de que  quando apareceram os primeiros telefones celulares  um cientista americano, em declarações prestadas à imprensa, disse o seguinte:
“Existem coisas que a tecnologia nos oferece, que são absolutamente inúteis e logo se tornam imprescindíveis. O celular que o diga.”

Longe de ser inutil, celular não só se tornou imprescindível como se tornou vital para todas as camadas da sociedade: do Primeiro Ministro ao engraxate da esquina; da Primeira Dama até a mariposa que faz ponto num bar da Av. São João.

Da mesma maneira, facebook começou como uma brincadeira de estudantes inteligentes para fazer fofoca entre os colegas e exercitar sua habilidade na tecnologia da computação,  superou os mestres e deixou-os desmoralizados. Cresceu e hoje é uma empresa avaliada em 50 bilhões de dólares. E tudo para que? Falar de abobrinhas!

Não é bem assim. Se examinarmos o conteúdo das páginas  do Facebook veremos que, em sua grande parte, são futilidades, fotografias de péssima qualidade e opiniões inexpressivas, que consomem um tempo enorme para serem destiladas até que se chegue à gota final do produto. Mas o Facebook não é só isso. A rede conseguiu mobilizar multidões em questão de horas e só isso justificaria os seus cinqüenta bilhões de dólares. Como quando o cidadão Oscar Morales reuniu 10 milhões de pessoas em cidades da Colômbia, em protesto contra as Farc, ou como nas mobilizações que tem ocorrido recentemente nos países árabes em protesto contra as ditaduras. 
E assim, entre abobrinhas, fofocas e mobilização de massas, vamos enriquecendo nossa cultura e aperfeiçoando a cidadania.

 “Você tem notícias do fulano?”
 “Não. Procura no Facebook, ele está lá”
“Você sabe que fim levou aquele chato da quarta série que vivia pedindo    livro emprestado a todo mundo?”
“Ele está no Facebook, ficou rico. Montou uma editora.

Num interessante artigo publicado no “O Globo” de 11/02/11, o colunista Marcio Ehrlich ensina que  “A vida em rede é um aprendizado”. Ele começa com uma pergunta: “Você já se estressou com alguém no Facebook? ... já teve vontade de deletar alguém ... não se culpe por isso.”  A partir daí, Ehrlich analisa o prazer e as frustrações que a rede social nos proporciona e conclui:
“Admita. Estamos na rede para nos divertir. Desestressar do trabalho e do relatório atrasado ... portanto, se alguém lhe encher muito o saco, você não precisa deletar o seu próprio perfil e desistir da rede. Remova o inconveniente da sua lista. Esta é a modernidade social.”

Quanto a mim, recuperei a alegria de estar no Facebook.
Primeiro porque posso meter o pau em quem quiser – coisa que nunca fiz - e o pior que pode acontecer é me deletarem da lista.
Segundo porque, apesar de não pagar nada pelo Facebook, também ajudei, ainda que modestamente, a engrossar a conta de 50 bi do Markinho Zuckerberg e espero que, um dia, ele me seja reconhecido isso.

Tchau, nos veremos no Face, e  não esqueça: o tempo que você gasta na rede engrossa a conta do Markinho, não a sua.

Um comentário:

  1. GENIAL! Se o tempo que gasto na rede engordasse me conta, eu estaria mais rica do que o Markinho! Amei, Luigi! Simplesmente, DEMAIS!

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