25 setembro 2022

Você está rindo de mim?

 Você está rindo de mim?

 

Pode rir. Eu também rio. Mas não rio de você. Eu rio de mim mesmo. Se queremos viver com bom humor temos que aprender a rir de nós mesmos. Os ingleses ficaram mestres nisso. Lembre-se do “ sense of humor ” dos britânicos. Disso dei provas, poucas linhas atrás, quando escrevi o meu epitáfio : “ Aqui jaz o bobão  que um dia . . . e bobão ele era. Porque morto já estava e não sabia “

 

E as piadas? Foram feitas para rir. Eu comecei a decorar piadas e não me faltaram amigos para alimentar-me de material. Desde as mais inocentes até as cabeludas.  Sobre carecas.

Para começar procurei a mais curta que eu conhecia.

 

- Você conhece a piada do pinto russo ?

- Pioff . . . Pioff . . . Pioff . . .

 

A próxima, mais curta:

No pátio de recreio de um asilo de loucos.

- Quem és tu, meu filho ?

- Napoleão.

- Quem ?

- Napoleão Bonaparte.

- Quem te disse isso ?

- Jesus Cristo.

- Eu ??? !

 

Eu ria muito. O tempo todo. E isso não ficou impune pois me levou a cometer gafes. Numa delas eu chorei. Quando eu frequentava as aulas na Oficina da Crônica, do Felipe Pena, ainda no Rio, tinha uma colega muito inteligente e que escrevia muito bem. Nós nos reuníamos para criticar o que escrevíamos. Um dia ela me disse: “Gostei muito da sua última crônica. Tem um ar assim . . . de Gabriel Garcia Marques.”  Senti-me lisonjeado e pensei logo em dizer algo que me mostrasse minimamente competente para conversar com ela. Em uma palavra, resolvi mostrar erudição.  E mandei:

“Ohh! sim, Gabriel Garcia Marques, prêmio Nobel de literatura, escreveu Cem Anos de Solidão, amigo do Presidente da Colômbia

Belisario Betancur, que aliás, também era poeta mas não era um presidente poeta, era um poeta que havia se tornado Presidente e que, quando criança, menino traquinas que era, em uma sala de aula, enquanto esperavam e chegada do professor, foi ao quadro negro e escreveu:”

 

“Senhor, Senhor te rogamos

Y rogaremos sin fin

Que mandes rayos de mierda

En el Professor de latin””

 

Foi expulso da Escola e  eu,  . . . blablabla . . . blablabla . . .  eu não parava . . .     

Olhei para a minha colega para ver o efeito de tamanha erudição. Ela estava muda e olhava o infinito.

“Meu pai era Professor de Latim.”

E eu tive vontade de me jogar pela janela.

 

Não me lembro quanto tempo ruminei a minha dor e a vergonha que passei até que voltasse a rir. Creio que o confinamento doméstico, determinado por essa Pandemônia aviltante, escondido atrás de uma máscara, me ajudou a encarar o olhar das pessoas.

Pois voltemos aos nossos risos e vamos falar sério já que agora chegou o Dr. Daniel Martins de Barros, Psiquiatra, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em página inteira de um jornal local, nos diz o seguinte :

 

“O RISO NÃO É UMA PÍLULA MÁGICA, MAS TRAZ UM BOM ALÍVIO”

 

Numa entrevista concedida à Jornalista Constança Tatsch, o Dr. Daniel discorre amplamente sobre o tema. A primeira pergunta foi a seguinte: “O que é o riso” ? A resposta :

 

“ O riso é reflexo da história pessoal e também da humanidade, é uma forma de comunicação que a seleção natural imprimiu, um sinal de que está tudo bem. É uma expressão que ao mesmo tempo revela algo sobre nós, comunica e modula o comportamento do outro. As emoções em geral são assim, o choro também é um sinal do que você está sentindo e que interfere no comportamento do outro “

Gostou ?

E agora, você ainda está rindo de mim? Ria, ria muito.  Vamos rir juntos. Vamos criar uma sinergia tão grande que nos fará mergulhar no espaço sideral, que eterno dura, onde iremos  encontrar vida mais pura.

 O que?  Você está rindo disto? Ria à vontade. Estou só ouvindo.