19 dezembro 2023

QUE MUNDO É ESSE 1

 

QUE MUNDO É ESSE !

 

Acordo cedo e sento-me no terraço para contemplar o sol de Primavera que ilumina e aquece as majestosas árvores que buscam o céu.

Os colibris saltitam no espaço bicando as gotas de orvalho depositadas na superfície das folhas.  Os pardais volteiam, os sabiás cantam e as saíras alegram a paisagem com suas asas coloridas.

Crianças brincam na calçada numa folgança invejável.

 De nada mais preciso para ser feliz nesta “Mansão no Paraíso”, casa de 200 metros quadrados, onde moro, com minha família, no bairro do Mury, Nova Friburgo.  

No entanto, abro os jornais e me apavoro. Na capital do Estado, de onde venho, a vida tornou-se perigosa. Roubos, assaltos, brigas, acidentes de todo o tipo estão deixando o cidadão em pânico. As praias são o cenário preferido. Assaltos a turistas, arrastões de todo o tipo comprometem a imagem do país no exterior.

Se olho a televisão, o quadro é ainda mais aterrador. No Estado de São Paulo, até as rodovias sofrem assaltos.  Automóveis de passageiros, caminhões de transporte de carga, veículos bancários para entrega de valores, são interceptados ao longo da estrada. Às vezes a Polícia entra. E aí a matança é recíproca.

 No resto do mundo, a coisa é muito pior. A guerra na Ucrânia está longe de terminar.

No chamado  Oriente Médio países árabes estão vivendo um drama inimaginável, metidos numa guerra fratricida. Sob o comando de militares fardados, um grupo de fanáticos decidiu extinguir a raça dos Judeus.

Denominado “RAMAS” , os recursos desse grupo, tanto em armamentos como em território, são imensos. Segundo consta, o apoio financeiro vem do Iran e da Arábia Saudita.

Evidentemente, esse ataque provocou um revide por parte de Israel, que disparou seus canhões para se defender. E implantou-se a guerra.

Até onde cheguei, não vi quando poderá terminar. Nem precisa.  Guerras são devastadoras e não têm vencedor.

A que ponto chegou o ser humano. Não sei o que dizer, mas a solução está naquele velho refrão:

“PAREM O MUNDO, QUE EU QUERO DESCER”

16 dezembro 2023

VOU ME RENOVAR

 

VOU ME RENOVAR

 

 

 

PRECISO ME RENOVAR

Renovar ? Renovar como ?  Ainda não sei.  O que sei é que, chegado à vetusta idade, que nem sequer mereço  encontro-me com um emaranhado de ideias que fervem na cabeça, comprometendo a temperatura do resto do corpo.

Quando era menino, e com isto eu me refiro aos 12 anos, eu assistia à Missa na igreja do bairro onde morava, a Vila Maria, em São Paulo. Fervoroso católico, resolvi ler a história dos grandes convertidos: Thomas Merton, Santo Agostinho e outros.  Quando vi os argumentos que motivaram a sua conversão, eu me desconverti. E me declarei ateu.

 

Aos 14 anos, escrevi meu primeiro poema: “Poema Controverso”.

 

Se eu pudesse amar, amaria tudo

Mas amaria você sobretudo

Amaria as crianças que riam e os velhos que choram

O barulho das fábricas e o silêncio da noite

Os sapos no charco, as estrelas no céu

As gotas de orvalho nas folhas das rosas

E os raios de sol nas manhãs preguiçosas.

 

            E patati . . .  patata . . . os versos continuaram

           pipocando e fecharam :

Se eu pudesse amar, amaria, até mais não parar

O próprio Deus que me fez incapaz de amar

Neste ponto, eu resolvi amenizar as coisas. Retirei o ateu e me declarei agnóstico.

Mas a juventude não terminava aí. Naquela época os estudantes tinham uma associação na qual defendiam seus direitos político. Fazíamos reuniões, todos discutiam mas ninguém me deixava falar. Logo descobri que, com o nome de Spreafico e com a cara  de fogoió que me representava, eu devia ser de outro planeta.

Então comecei a ler Marx e Engels.

Entusiasmado com a teoria marxista da  “Mais Valia”, resolvi estudar melhor o Comunismo. Acompanhei como era a vida em Cuba. Cheguei a ler a revista Novos Rumos, que circulava na época. Um horror. Nesses tempos eu andava ocupado representando no Teatro do Parque, no Recife, a peça “A Pena e a Lei” do Ariano Suassuna. E foi o que me ajudou pois concluí que da Política eu devia ficar longe.

Hoje sou chamado de covarde, porque não vou para as ruas participar das manifestações, que nem sequer sei a quem vão esculachar. Credo Crucis.

Dentro do miolo mole que ainda me resta, comecei a refletir :Quem sou eu ?   O que estou fazendo nesta vida ?  Deve haver algo mais neste Universo Planetário que ocupamos.

Sem dúvida, existe : A Reencarnação. E comecei a ouvir a voz da consciência.  

Uma voz carinhosa me sussurrou : O Espiritismo está aqui ao teu lado. Mediuns e    assessores te ajudarão na caminhada.

É pra lá que eu vou.

 

 

 

 

 

05 dezembro 2023

DIVERTIMENTO - Partes 2 e 3

 

 

PARTE  2

 Logo chegaram as máquinas.  Tínhamos 3 galpões no prédio da Escola, cada um com 100 metros de comprimento: Fiação, Tecelagem e Acabamento.  

Saco Lowell, na Sala de Abertura. Teares Draper e Cromptom na Tecelagem. As máquinas sendo montadas com a ajuda dos alunos. Uma atividade frenética, marcada pelo cheiro do algodão cru, um verdadeiro afrodisíaco.

Nas horas vagas eu frequentava as oficinas, montava e desmontava máquinas fazendo um treinamento adicional.

Setenta e cinco anos se passaram. A Escola Técnica de Indústria Química e Têxtil cresceu, transformou-se em um Centro Tecnológico de grande repercussão, expandiu suas atividades para além de um simples processo de transformação de matérias primas, abrangendo novos segmentos da cadeia têxtil. Paralelamente, em 1962, criou-se a ABTT – Associação Brasileira de Técnicos Têxteis -  que congrega os profissionais têxteis e continua seu aperfeiçoamento através de Congressos, Seminários e Feiras, entre outras atividades e que desempenha hoje um papel importante na integração Universidade/Empresa.

 

PARTE 3

O DIVERTIMENTO

Por volta dos anos 50, eu aproveitei a oportunidade que me ofereceram para fazer teatro. Havia sido inaugurada em Fazenda Nova, Município de Brejo da Madre de Deus – PE, uma construção em pedra local, esculpida pelos matutos analfabetos, que reproduzia a cidade de Jerusalém com todas as edificações, ruas e enfeites. Na Semana Santa, era ali representada uma peça teatral denominada “A Paixão de Cristo”. O espetáculo durava três dias. Começava com a Santa Ceia, na Quinta-feira Santa e terminava com a Ressureição.

Eu fui convidado para fazer o papel do Longuinho – Longinus – o soldado romano que era cego. Na cena em que aparece o Cristo Crucificado,  Longuinho pede a um outro soldado presente que o ajude a espetar uma lança no coração de Jes’us. Ao fazê-lo, faz jorrar um jato de sangue sobre seus olhos. E ele percebe que recuperou a visão. Arrependido, ele começa a implorar perdão ao Senhor pelo mal que causou.

Fiz a cena com tanto entusiasmo e alvoroço que fui convidado para representar outras peças no Recife.