28 março 2010

CARNAVAL, EU TE SUPLICO

Tu, que entraste na minha vida sem ser chamado. Tu, que vieste perturbar a minha paz e o meu sustento. Tu que zombas do meu afã, da minha lida.
 Suspende agora teus desvarios e dedica-me um minuto de atenção: Rendo-me aos teus encantos, abraço-te amorosamente e te suplico:

Ajuda-me a atravessar teus dias incólume, isento de culpas e de remorsos.
Porque quero fugir do quotidiano, quero esquecer as mágoas que me perseguem, quero alimentar esperanças, sonhar novos amores, viver vidas já vividas.

Quero recuperar saudades e chorar novamente o pranto do desespero.
Quero reparar os males que fiz, as dores que causei, as traições que cometi.

Quero mergulhar na voragem do prazer, quero perder-me na volúpia dos sentidos.
Quero embriagar-me com o veneno que circula por teus becos e vielas. Quero fecundar as flores que desabrocham ao som dos teus tamborins.

Quero amar a plebe rude que salta e canta com teus ritmos. Quero amalgamar o meu suor com o suor das tuas deusas.
Quero afogar em lágrimas o palco das esperanças que um dia me abandonaram, sem deixar rastros.
Quero dormir em campo aberto, absorver o brilho das estrelas, despertar coberto de orvalho, ofuscar-me com a luz da alvorada.

Quero encontrar em minha amada a alegria dos teus folguedos, quero sentir o calor que do seu peito estua, sorver de seus lábios a seiva do feitiço. Quero aplacar em seus braços a dor que me consome.
Quero arder no fogo-fátuo que emana dos cadáveres insepultos das minhas memórias.
Quero ser Carnaval.

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