24 abril 2012

Metas para 2012


O mês de Maio está chegando e eu ainda não formulei minhas metas para o ano de 2012. Vou ser sincero: eu nunca formulei metas para ano algum na minha vida mas agora, já adulto, vendo que todo o mundo no facebook faz planos ou manifesta desejos para o ano que começa,  não quis ficar na desvantagem. Começo tarde, é verdade, mas não me preocupo. As grandes obras levaram muito tempo para serem feitas. A Capela Sistina não foi construída num dia e a Cloaca Massima, em Roma, que considero o extremo oposto em matéria de sensibilidade estética, levou quase um século para ficar completa.  Anos atrás cheguei a esboçar qualquer coisa parecida com um plano de metas   mas desisti ao perceber a complexidade em que me metera.  Este ano tentarei ser mais realista e, por isso mesmo, formularei tarefas mais simples. Espero,  que desse modo, poderei dar um salto  mais audacioso em 2013.

Meta número um:  Vou retirar todas as portas dos armários da cozinha. Elas não servem para nada. Escondem tudo o que está lá dentro, retardando a localização das coisas, e eu sempre acabo dando uma cabeçada quando esqueço uma delas aberta. Discuti este assunto com um grupo de intelectuais e eles me disseram que as portas são necessárias para impedir a entrada de baratas. Se eu tivesse baratas na minha cozinha eu tiraria a cozinha.

Meta número dois: Vou amarrar com um fio arame a caneta que mantenho junto ao telefone. As que eu vinha amarrando com barbante não deram certo. Sumiram todas, pois o barbante não oferecia a resistência necessária.

Meta número três:  Vou construir um curral para criar gambás. O método que eu vinha usando, de capturá-los com uma arapuca e soltá-los na porta dos vizinhos, não funcionou. Eles voltaram todos e eu só descobri que eram os mesmos quando comecei a chamá-los pelos nomes.

Meta número quatro: Pretendo fazer pelo menos duas viagens, este ano, de curta duração, não mais do que três dias. A pé.

Meta número cinco:   Farei uma boa ação, uma vez por semana. Sempre a mesma ação, pois conto com a persistência para alcançar o meu objetivo. Publicarei , no facebook, uma foto da bandeira do Japão. Com isto proporcionarei aos meus amigos a oportunidade de entrarem num transe meditativo ao contemplarem aquele símbolo da simplicidade, a quintessência da forma geométrica, o suprassumo da síntese, a harmonia entre o cheio e o vazio, o tudo sobre o nada.

Meta número seis:  Quero escrever uma crônica que cause impacto. Ainda não sei bem como vai ser, mas já alinhavei algumas idéias: Descrever a operação de um bate estacas preparando os alicerces de uma construção. Neste caso a crônica deveria ser curta, caso contrário o impacto se diluiria antes que o leitor chegasse ao fim da página e a crônica não passaria de um traque.
Pensei, também, em contar a história de um milionário que levasse  uma barca que faz o trajeto Rio/Niterói até o vão central da Ponte e a despejasse no mar. O impacto certamente  provocaria ondas que inundariam a Praça XV.

Meta número sete:  Desta eu desisti. Trata-se de um antigo projeto destinado a resolver o problema do calor no Rio de Janeiro. Um dispositivo que criaria um micro clima em torno do corpo, mantendo uma temperatura aí pelos vinte graus e que acompanharia a pessoa por onde ela fosse. Este dispositivo consiste num simples supositório de gelo seco, que seria fabricado em diversas bitolas para atender aos diferentes tamanhos dos usuários. Como ainda depende da solução de alguns detalhes técnicos, sou obrigado a transferir esta meta para o próximo ano.

E você, já formulou suas metas para este ano? Não fique parado. A vida não espera. Tudo em volta de você se movimenta. E não se esqueça da célebre máxima do Conde de Lampedusa, aquele que escreveu “O Leopardo: “É preciso mudar para que tudo fique como está”. Parece uma bobagem, não é?  Se você achar que é, vá até o facebook e contemple a bandeira japonesa.  Você  mudará de idéia.  Até 2013.



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