30 novembro 2023

TRABALHO E DIVERTIMENTO

 TRABALHO E DIVERTIMENTO

 

PARTE 1

 

Esta história começa bem longe no tempo. Era o ano de 1948. Aos 18 anos de idade, eu completava o Curso Técnico de Mecânica de Máquinas ministrado pela Escola Técnica do Recife,  uma Escola da rede federal, criada pelo Presidente Nilo Peçanha. Ficava no Derby, bem na beira do romântico Rio Capibaribe.

Entrei de férias e comecei a pensar no que iria fazer na vida.

 

Poucos dias depois, o Diretor da Escola, Manoel Viana de Vasconcellos mandou-me chamar e disse:

Fui informado que o Senai vai criar um curso de Tecnologia Têxtil. Será no Rio de Janeiro, o primeiro no Brasil e concorrerão alunos de todos os Estados. Para Pernambuco foram reservados 4 alunos. Eu indiquei você.

O curso é gratuito e a Escola dispõe de um Internato para acomodar os alunos de fora. Serão pagas as passagens de ida e volta, bem como as férias, tanto as de Julho como as de fim de ano. Você terá que fazer um exame de seleção pois só irá um dos 4 indicados. Apresente-se no Colégio dos Jesuíta, na Boa Vista, e faça a sua inscrição. Fiz e passei. E viajei para o Rio de Janeiro.

 

Com o entusiasmo e a exaltação de quem vai  fazer sua primeira  viagem interplanetária, embarquei num DC3 da Real Transportes Aéreos.  Depois de 8 horas de viagem entre Recife e o Rio de Janeiro, o avião desabou sobre a pista do antigo Galeão.

Minhas emoções apenas começavam. A Escola começou a definir-se.  O carro que me trouxe do Aeroporto depositou-me num casarão da rua Bela, em São Cristóvão. Ali ficaríamos até que  fosse efetuado novo exame de seleção. Os reprovados seriam devolvidos aos seus Estados.

Fiz o exame. Tirei o primeiro lugar. Meu número de matrícula foi 1.

Foram aprovados 32 candidatos. Formava-se, assim, a primeira turma da

ETIQT.

A Escola iniciava as aulas apenas com sua estrutura de concreto, poucas paredes e muitos andaimes. Não havia portas nem janelas. O piso era laje bruta. O barulho das betoneiras interrompia o professor que ora fitava o chão ora levantava o olhar para os céus esperando sua vez de falar.

 

O regime era duro: quatro horas de aulas teóricas pela manhã, quatro horas de aulas práticas à tarde e, à noite, estudo dirigido, obrigatório, de duas horas. Ao meio dia, o Alfredo, um garçom com cara de mordomo inglês, metido em uma espécie de fraque e gravata borboleta, servia o almoço.

 

O Diretor da Escola era o professor Mario Souto Lyra, formado pelo Instituto Lowell, da Carolina do Norte. Da mesma Escola, vinha o professor de Tecelagem, Horst Gaensli que também ocupava uma Diretoria na Fábrica Bangu. Não há como deixar de mencionar outros professores da época e o faço sabendo que vou omitir nomes importantes pois valho-me da memória: O professor Oldegar Vieira, de Português, introdutor do Hai kai no Brasil que fundou o Caetés – Centro Acadêmico dos Estudantes; Deolindo Dominguez Vicente, na Fiação, com seu sotaque espanhol;  Ivo Piccoli, professor de Física, criador do “suprassumo do extrato do graveto seco”; Manir Japor, de Matemática, com sua muleta e perna engessada que duraram seis meses; Henrique Mariani no Desenho Têxtil e suas gigantescas e sufocantes folhas de papel milimetrado;  Emil Kwaiser, com sotaque austríaco, ensinava Mecânica Aplicada, era também professor de balística na Escola Técnica do Exército;  o professor Rocha, de Inglês, irmão de Carlito Rocha, o famoso treinador do Botafogo;  Dom Gerardo, frade do Mosteiro de São Bento, no Rio, na Cadeira de História das Artes, nos ensinou a apreciar Giotto e Caravaggio.

 

 

 

 

19 novembro 2023

ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DE INDÚSTRIA QUÍMICA E TÊXTIL

 ESCOLA TEÉCNICA FEDERAL DE INDÚSTRIA QUÍMICA E TÊXTIL  -  ETIQT

 

Recebi, dias atrás, um convite dos meus colegas de escola, portanto técnicos têxteis como eu.     Com uma diferença, porém: entre a data da minha formatura – 1959 – até hoje, formaram-se 63 turmas de técnicos têxteis.

O convite me incentivava a participar do Primeiro Encontro de Técnicos Têxteis de ITAÚNA – MG. Seguiu-se um programa detalhado dos eventos  bem como os nomes dos que compunham a Comissão Organizadora.

O convite era assinado pelo Presidente da Comissão, colega Toninho Oliveira, o qual informava que a minha participação havia sido proposta pelo colega Ivo Jorge.

Não foi fácil conter a emoção que me envolveu  e como me sinto honrado e grato a todos. Estes amigos, nesta altura da minha vida, me renovam as forças para continuar trabalhando com as ferramentas que me restam. Posteriormente, veio a notícia de que seria gravada uma placa para perpetuar o evento e, dada a impossibilidade do meu deslocamento até Itaúna, a placa me seria entregue em Nova Friburgo, onde moro atualmente. Numa gentileza fora do comum, a Comissão Organizadora, capitaneada pelo colega Toninho Oliveira, e mais um grupo da ABTT, fiéis seguidores do colega Ivo Jorge, desembarcaram em Friburgo.

Escolheram um bucólico restaurante local, o Bistrô Primavera.   Aí, deu-se a grande festa, regada a detox, bebida criada pelo nosso Waumy em seu inesquecível “Imaculada Conceição”.

 

 

A Placa :

“Luigi  Spreafico

Nossa homenagem ao primeiro aluno matriculado na primeira turma do curso técnico têxtil na ETIQT , em reconhecimento aos brilhantes trabalhos  prestados a todo o ramo têxtil do Brasil.

Desde 1949, uma vida dedicada a uma paixão, “indústria têxtil”. Sonhos, lutas, realizações, uma carreira vitoriosa que deixa  um legado que orgulha  a todos nós, seus colegas técnicos têxteis e nossa querida escola.

ETIQT/1949 E CETIQT/1980

PRIMEIRO ENCONTRO DE TÉCNICOS TÊXTEIS EM ITAÚNA - MINAS GERAIS

Dias 25 e 26 de Agosto de 2023”